Bem vindos ao meu espaço

Após algum tempo a navegar neste mundo de blogosferas, dei por mim ai e ali a escrever o que se pensa aqui… resolvi então criar o "Coffee Break e 3 linhas de conversa", o lado mais dia-a-dia, o lado mais soft, talvez o lado mais “santo” de Santo&Pecador. Serve este blogue, como o próprio nome o diz, para fazer uma pausa e escrever 2 ou 3 linhas sobre aqueles pensamentos, ideias e momentos (bons, maus ou mesmo aqueles assim-assim) que nos surgem durante o dia ou da noite. Vou tentar assim com as vossas opiniões e com algumas, saudáveis, discussões que por aqui vão ficando, tentar enriquecer e melhorar o meu padrão de vida e algo mais…



Logo estão todos convidados para um Coffee Break e 3 linhas de conversa,

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Santos Populares



Numa romaria iniciada no largo do Chafariz, com o museu do fado como testemunha e na companhia de pessoas fantásticas, a primeira sardinha (bifanas para as meninas) foi logo assinalada com uma cena caricata. O rapaz que nos serviu, que tinha os preços afixados na parede atrás de si, teve de ir perguntar a alguém o preço das referidas sardinhas e bifanas. Percebemos logo que o álcool por ali já se fazia notar. Esquecendo o facto da bifana da Is. estar cheia de sal, andamos mais uns metros até há Travessa de S. Miguel, onde o nosso amigo J. nos esperava. Segundo ele, seria o homem que estaria a assar sardinhas, mas realmente vi-o mais vezes a beber cerveja do que propriamente ao fogareiro, e isso era notório no estado alegre com que ele nos recebeu. Surpresa, das surpresas foi encontrar um amigo que não via há mais ou menos dois anos, o T., que lá se encontrava com a tuna, à qual pertence e é o homem do bandolim, a alegrar a festa.
Da Travessa de S. Miguel à Igreja de St. Estêvão, foi uma curta viajem por travessas e ruelas estreitinhas. O percurso demorou cerca de uma imperial para mim e para o N. e meia sangria para as meninas. Para acompanhar mais umas sardinhas, vieram mais duas imperiais, enquanto as meninas terminavam a sangria, também elas, providas de umas deliciosas sardinhas. Sentados no chão e com uma mesa com cerca de uns 40 cm de altura, junto à Igreja de St. Estêvão, enquanto a I. desesperava pela chegada da sua bifana, fomos brindados com uma senhora chinesa que ao nosso lado devorava uma sardinha, da mesma forma que nós comemos os, também, deliciosos jaquinzinhos. Iniciou a devoração do respectivo “bicho” pela cabeça, terminando no rabo. As espinhas? Não perguntei! Mas pelo ar satisfeito com que a mesma desbravava a dita sardinha, penso que a resposta seria qualquer coisa, como “Deliciosas!”.
Entre o descer e o subir de umas escadaria, para ir urinar, eu e o N. fomos placados por uma espanhola, que fazia guarda à sua amiga, também espanhola, que urinava numa esquina dessas escadarias. Aguardamos respeitosamente, que a menina terminasse o servicinho, e depois de nos agradecerem pela nossa espera e compreensão, lá regressamos, com mais umas cervejas na mão, para junto das meninas que se deliciavam com a vista que aquele local nos proporcionava. Com o magnifico Tejo como pano de fundo, Lisboa fumegava o aroma das sardinhas e as luzes das casas convidavam-nos a perseguir a nossa romaria.
Com uma paciência de Santo, a fazer jus ao dia que se comemora, diria mesmo uma paciência invejável, a I. aguardou cerca de uns bons 45 minutos pela chegada da sua tão aguardada bifana, que pelo menos valeu pelo facto de estar saborosa.
Subidas mais umas escadas e percorridas mais umas ruelas, mesmo com uma pausa para um maravilhoso e caseiro arroz doce, foi num ápice que estávamos junto do nosso amigo Ch., que se encontrava a trabalhar numa das muitas tasquinhas (se é que se pode chamar tasca) de Alfama. Dali, até junto do J. que nos esperava, mais uma vez, na Travessa de S. Miguel, e já na companhia de outros amigos, uns de longa data e outros de há poucos minutos, foi um novo percorrer de ruas e ruelas, travessas e escadarias, acompanhados pelo som das variadas músicas populares que se faziam ouvir por Lisboa inteira. Num improvisado comboio, para não nos perdermos, lá fomos dançando e saltando até junto do J., como lhe tínhamos prometido.
O ambiente não podia ser melhor, a sardinha era a rainha da festa e a bifana também marcava a sua presença. A cerveja fresca fazia par com toda a sardinha e bifana e para ornamentar todo este quadro de alegria e festim a tuna cantava e deliciava quem os ouvia.
Deu a meia-noite e chegara o dia do Santo casamenteiro, o St. António, mas não era só o dia dele, também era o dia da S., pois era o dia do seu aniversário. Sem interessar a idade que fez - não se pergunta a idade a uma menina - a tuna brindo-a com uma linda canção de parabéns acompanhada por todos nós.
Passaram-se mais umas horas, da mesma alegria e convívio, a boa disposição exuberou, as velhas amizades fizeram-se notar, as mais recentes enraizaram-se e as novas encantaram-me.

Até para o ano!

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