Bem vindos ao meu espaço

Após algum tempo a navegar neste mundo de blogosferas, dei por mim ai e ali a escrever o que se pensa aqui… resolvi então criar o "Coffee Break e 3 linhas de conversa", o lado mais dia-a-dia, o lado mais soft, talvez o lado mais “santo” de Santo&Pecador. Serve este blogue, como o próprio nome o diz, para fazer uma pausa e escrever 2 ou 3 linhas sobre aqueles pensamentos, ideias e momentos (bons, maus ou mesmo aqueles assim-assim) que nos surgem durante o dia ou da noite. Vou tentar assim com as vossas opiniões e com algumas, saudáveis, discussões que por aqui vão ficando, tentar enriquecer e melhorar o meu padrão de vida e algo mais…



Logo estão todos convidados para um Coffee Break e 3 linhas de conversa,

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Cor é Vida



Há muito que em mim surgia a vontade de uma experiência no voluntariado, nomeadamente com crianças. Talvez ainda não o tivesse feito, por falta de tempo, oportunidade, companhia, enfim… as inúmeras desculpas que arranjamos quando não nos empenhamos a sério numa causa.
A oportunidade aconteceu sem se anunciar, por força das coincidências e por uma situação do acaso e porque nada acontece por acaso, dei comigo no Domingo de manhã a entrar na Pediatria do Hospital de São João do Porto, acompanhado da Madalena, do André, da Joana e da Paula, a mergulhar em momentos nunca antes saboreados.
Começamos pelo Lino (nome fictício), um miúdo que só de ouvir os primeiros acordes do André, ainda quando este, no hall de entrada, dedilhava uns acordes de Jack Johnson soltando-se de algum nervosismo que os seu dedos arriscassem alojar, já pedia a todos que por ele passassem para nos dizer que estava à nossa espera.
A cumplicidade apaixonante com que a Madalena namoricava o Lino enquanto este carinhosamente lhe pedia um presente para dar à irmã e a emoção com que nos acompanhava a cantar os versos do refrão da música “Estou na lua” dos Lunáticos foi logo um anúncio da amálgama de sentimentos que me aguardava.
Se por um lado era devastado pela tristeza de saber que uma criança com aquela tenra idade estava a ser sujeita ao mais cruel dos tratamentos, por outro a apreensão com que ele, mesmo ali internado, se preocupava com a irmã, assegurando-se de que havia um presente para ela, mostrava-me em primeira mão o que é amar alguém incondicionalmente. Tudo era secundário para ele, a irmã naquele momento, que felizmente estava bem de saúde e em casa, era a sua prioridade. Assistindo de camarote a esta enorme prova de amor, que arrojou para a inutilidade a flor que se dá no dia dos namorados ou o presente que se dá no dia de anos, pensei:
Amor é isto!
É lembrar-se da irmã, esquecendo-se que era por ele que ali estávamos.
Os acordes mágicos que saiam da viola do André, por vezes aos tropeções, eram dissimulados pela enorme determinação com que ele se empenhava em fazer daquele dia, não mais um dia, mas sim o dia. O dia mais feliz daqueles dias menos felizes.
As nossas vozes, sem arte para a música mas repletas de vontade, acompanhavam a magia do André e serviam de banda sonora aos sorrisos que conseguíamos resgatar aos rostos fechados que íamos encontrando. Era essa a nossa missão, redesenhar os semblantes, e, por consequência o nosso prémio.
Perceber que o sorriso fechado com que uma menina, de nome Iara (nome fictício), nos recebeu e que, mesmo sem poder falar, no fim com um dos mais rasgados sorrisos da sala acompanhava com uma alegria contagiante a música que o André difundia e que todos nós, voluntários, pais, crianças, auxiliares e mais quem lá estivesse cantávamos, é de uma gratidão inexplicável.
Ler a felicidade que os olhos daquela mãe, que cantarolava connosco, respiravam ao olhar o entusiasmo da sua menina a viver o momento é das coisas mais gratificantes que se pode ter.   
Descobrir que mesmo com o peso da tristeza que se sente num quarto de internamento, existe quem cante e encante ao nível de qualquer músico famoso, como foi o caso da Isilda (nome fictício), uma miúda de 16 anos que nos primeiros versos do “Paixão” do Rui Veloso, obrigou a que eu e a Joana nos calássemos para não estragar a música e dar aos restantes o proveito de se deliciarem com cada palavra que ela, de olhos fechados e cheia de paixão, nos oferecia.
No final daquele mini concerto, à capela, com que ela nos brindou, e que todos nós assistimos de plateia, ouvir da sua boca dizer que se antes estava triste por ter vindo para aquele hospital, agora já nem sequer colocava a hipótese de sair dali, é de nos encher de orgulho e saborear a expressão “missão cumprida”.  
Desfrutar, durante todo o percurso, de uma meiguice envergonhada, com que uma menina de origem africana, e de uma beleza indescritível é extraordinariamente delicioso. Com aqueles olhos de gata que nos miravam com o olhar mais doce que eu já alguma vez vi e com uns lábios carnudos que tão bem se desenhavam no rosto, quase que me atrevia a dizer que estava perante um clone em ponto pequeno e com uma cor de pele mais escura da Angelina Jolie.
No final e a olhar aqueles doces olhos, que timidamente pareciam querer nos dizer, para a levarmos connosco e a ter uma projecção mental de tudo o que foi vivido, percebi o quanto foi acertado o nome da associação “Cor é vida”. Foi cor o que viemos dar àquele espaço.
Naquele dia, trouxemos tintas de bondade e partilha, e com pinceladas de amizade e amor colorimos aquela tela cinzenta, de música, sorrisos, alegria e felicidade e em algumas partes da pintura até se notou alguns toques mágicos de omissão da razão pela qual ali se encontravam. Mais que sentir o quanto gratificante foi fazer parte desta experiência foi a felicidade que senti em fazer parte da equipa que coloriu este belo quadro.

Obrigado, Madalena, André, Joana e Paula.

Obrigado, Cor é vida!


12 comentários:

S.o.l. disse...

Gosto do teu coração :)

Aposto que saíste de lá "cheio" com vontade de poder fazer mais, o voluntariado, entre outras coisas, enche-nos a alma.

Beijinho e bom fim-de-semana.

Paula NoGuerra disse...

Os verdadeiros valores da vida estão naqueles que dão sem pedir nada em troca!
BEM HAJAS AMIGO XXX

PS: E parabéns a todos aqueles que partilharam esse momento contigo!

Moi disse...

Muito bem! Feliz por ti!
Fico feliz por realizares algo que desejavas há muito.

O amor incondicional das crianças é algo sem explicação. Essa parte que escreveste, faz-me lembrar o meu sobrinho de dois anos que sempre alguém lhe dá algo, pergunta sempre se não há também para o irmão.




Bom fim de semana para ti! :-)

Beijo grande em ti

Moi disse...

Voltei que me esqueci de te dizer, se ainda não viste, tens selo lá no meu blog para ti!


Beijoooo




ps: e já agora uma sugestão, retira lá essa cena de confirmar os comentários com palavras, é uma treta nunca acerto à primeira

Fada Sininho disse...

O voluntariado é isto mesmo, dar amor da melhor forma que sabemos.
Bem vindo à Cor é Vida. Quem sabe a gente se cruza um dia numa visita.

Santo&Pecador disse...

S.o.l,
Foi muito gratificante e melhor que tudo é que entrei para lá com a ideia que ia fazer aquelas crianças mais felizes e saí de lá com a dúvida se não foram elas que me fizeram mais feliz.

Beijo!

Santo&Pecador disse...

Paula,
É verdade amiga e sabe bem melhor.

Beijo!

Santo&Pecador disse...

Moi,
Foi muito bom ter esta oportunidade. Surgiu sem esperar mas ainda bem que surgiu.
Já vou buscar o selo. :)

Beijo!

Santo&Pecador disse...

Fada Sininho,
Antes de tudo, obrigado pela visita e pelo comentário.
Amei aquela manhã, foi sem dúvida algo de mágico.
Foi bom sentir o que se faz na Cor é Vida e descobrir as pessoas que lhe dão realmente cor.
Cruzarmo-nos deve ser difícil, pois sou de perto de Lisboa e esse fim-de-semana no Porto foi uma excepção, se bem que gostava de passar ai mais tempo (cada vez que ai fui, só me aconteceram coisas boas). :)

Beijo!

S.o.l. disse...

Sei disso muito bem. Tanto!

Bjo

Uma boa parte de mim disse...

És tão, mas tão especial, "meu" lindo menino! E a vida vai saber recompensar cada segundo daquilo em que se tem atrasado, ultimamente. Podes estar certo disso!
Quem como tu sabe dar tanta cor á vida dos outros, tem sempre os dias cinzentos contados.

Mais um abraço, forte e apertado.

Santo&Pecador disse...

Uma boa parte de mim,

Ó amiga M., então mas hoje tiraste o dia para me deixar assim sem jeito, corado e de ego cheio por te ter como amiga. :)

Gosto-te muito, miúda! ;)

Um forte abraço e um beijo bom para ti amiga.