Dançar é como amar, aprende-se, é difícil, é único, é paixão,
é sedutor, é lascivo, é êxtase, é revigorante, é delicioso, é inexplicável, é alegria
e tristeza, é sofrimento e deslumbramento, e, nunca se sabe quando podemos falhar
e até magoar o outro. Exige muita dedicação, muita partilha, muitas horas a
dois e acima de tudo muita, mas muita cumplicidade.
Quando amamos alguém, não precisamos de palavras para o
demonstrar, são as nossas acções o que mais diz ao outro que o amamos. Na dança
a cúmplice união de dois corpos em movimento numa igual cumplicidade com a
música, são as palavras de todo o sentir que essa mesma música transmite. O
perfume que se desprende de dois corpos que flutuam na pista em absoluta
sintonia, confiando-se nos braços, um do outro, é como o odor que se solta de
dois corpos que se entregam e se descobrem, numa cama, todo o amor que nutrem
um pelo outro. O prazer de ver dois corpos a dançar é, como escrevi há uns anos,
“… acolherem-se um ao outro, transmitindo ápices de uma extraordinária fusão, de
uma cumplicidade impenetrável, que só é possível com o germinar de um misto de
combinações de puros sentimentos…”
Deixo-vos aqui dois links que para mim são o exemplo de plena cumplicidade na dança.
e
para fugir ao Tango que é o que todos nós pensamos quando se fala em cumplicidade na dança.
Agarrando, novamente na minha analogia, dançar é como amar, não é na cama que sentimos os maiores e melhores momentos de cumplicidade.









